12 de maio de 2014

perdida na cidade

A parte mais bonita de conhecer uma nova cidade é perdermo-nos nela. Não o perder no sentido literal, que isso se tiver algo de bonito só se for aliado ao cómico. Mas quando digo perdermo-nos numa cidade nova é quando andamos por ruas sem destino, sem ir de encontro aos sítios turísticos, sem saber que rua vai dar a que rua, sem saber o que vamos almoçar nesse dia ou em que lojas vamos entrar. Hoje foi o meu dia de me perder na cidade. É, também o último dia sem ter "obrigações e, por isso, tinha de ser bem aproveitado. Comecei a manhã no sítio mais cliché - com um Starbucks - mas ter wifi grátis e sem mezinhas dá-lhe sempre pontos. E o latte é bom. E são sempre locais giros e convidativos a trabalho. E foi isso que estive a fazer, a adiantar trabalho, agendar a semana, enviar emails (qualquer dia o meu email entope, como eu gostava de saber como era o mundo antigamente!). Depois foi altura de por a mochila às costas e descobrir. Dei voltas muito grandes por sítios onde já tinha passado. Descobri novas lojas para comprar as coisas básicas que uma pessoa precisa. Descobri que os tampões cá são mais baratos (va-se-lá saber porquê). Descobri que há coisas que são bem mais caras. Descobri que outras são assim-assim. Descobri que esta gente e os almoços não tem nada (mas nada mesmo) a ver com Portugal. Almocei no sempre fiel e que nunca desilude Subway. E do nada, sem o saber, ter lido ou pesquisado, fui ter à maior rua de compras aqui da terra. Ainda não a fiz toda. Parei agora mesmo para recarregar as baterias. Impressionante o que vim a descobrir quando não fazia mesmo ideia de que isto existia. E tanto sítio para gastar dinheiro. Mas voltando ao ínicio. Isto de conhecer uma cidade ganha mais encanto ainda quando nos perdermos nela e gostamos. Quando percebemos que além dos cantinhos que queremos muito visitar, dos que já vimos e gostamos, ainda há outros cantinhos sempre à espera de nos surpreender.

segunda feira e uma ótima semana #12


10 de maio de 2014

fiz uma rima para saberem onde estou

Por todo o lado há água e pontes 
E também não faltam veículos de duas rodas
Batatas fritas, é vê-las pelas ruas aos montes
Chegar a tempo é regra, para o trabalho, amigos ou ver as modas.

a love #13


6 de maio de 2014

Sobre isto de fazer as malas e mudar de vida

Já não é a primeira vez que o faço. Mas é a primeira mais a sério, mais adulta, mais por mim e sem intermediários, sem burocracias ou a quem recorrer se a coisa der uma bocadinho para o torto. Há algo fascinante sobre termos a oportunidade de mudar tudo de um dia para o outro. Literalmente de um dia para o outro mudamos tudo. Enfiamos tudo o que consideramos indispensável para dentro de uma ou duas malas, na esperança de que o que levamos lá dentro nos conforte e nos deixe continuarmos a ser nós próprios em sítios diferentes. A triagem que temos de fazer para fazer as malas para nos mudarmos para outra parte do globo é uma triagem ingrata. Pelas coisas mais fúteis como não podermos trazer as 30 combinações de roupa, acessórios e calçados perfeitos (e maquilhagem e cosméticos e aquela toalha de banho tão suave e fantástica) até as coisas que seriam realmente indispensáveis de trazer nas nossas malas, as pessoas que ficam. Sou uma afortunada com as relações que tenho. Lamento informar-vos mas não são vocês que têm os melhores amigos do mundo, sou mesmo eu. E essa é a parte menos fascinante disto de mudar de vida, ficar longe. Como tenho os melhores amigos do mundo é um longe físico apenas. Isto de mudar de vida, contrariamente ao que se possa pensar, faz-nos ficar mais perto das pessoas. A preocupação aumenta. As novidades são contadas com maior entusiasmo. Olhamos mais para as pessoas. Sentimos mais os tremores nas suas vozes. Respeitamos os dias em que não há chamadas. Festejamos os dias em que há chamadas. Deitamo-nos tardíssimo depois daquelas chamadas que deviam ter durado 5 minutinhos e duraram quase 2 horas. Estar longe aproxima as pessoas. E é por isso, que nesta coisa fascinantemente assustadora de mudar de vida sei que tenho mais a ganhar do que a perder. E é exactamente isso que digo, penso e repito para mim própria nos momentos de maior aflição. Estou longe. Mas estou perto. Estou bem. E a caminhar para ser (ainda) mais feliz.

5 de maio de 2014

Mudei de pais

E este blogue tambem. Ainda nos estamos a ambientar. E nao tenho acentos para ja. Por isso a quem veio a pensar que tinha mudado de progenitores, peço desculpa. Foi so mesmo de pais de paises. E estamos bem por aqui. Digo-vos ja para onde vim de balas e bagagens (muitos kgs alias!) ou deixo-vos no suspense?

Ja tinha muitas saudades disto!

19 de abril de 2014

este é para os que estão aí

E para os que torceram por mim aqui.
Porque agarrei-me a muitos pedidos, pedi muito, muito, muito. Às vezes já não sabia a quem pedia, mas continuava a pedir. E quando li os vossos comentários de uma genuinidade que não estava à espera senti-me mais amparada e protegida, pois já não era só eu a pedir. Houve mais gente a pedir comigo nem que tenha sido por poucos momentos.
Consegui. Conseguimos.
Ainda não está tudo. Mas o principal já está. Vêm aí tempos loucos. Tempos de dúvidas, tempos de confusão, tempos de adaptação.
Irei pondo-vos a par de tudo. Mas o que se passa é mais ou menos isto: 
Muda de vida, se tu não vives satisfeito.

15 de abril de 2014

crua

Este vai ser um texto mais cru e mais duro. Acredito que a função de educar seja a mais difícil do mundo. Acredito mesmo e tenho muito medo se eu um dia vier a ter essa função. Acho-a difícil e ingrata, porque errar é o mais certo de acontecer. O papel de um pai/mãe é um papel que junta o certo e o errado na mesma frase. Devo muito aos meus pais que nunca me faltaram com nada, que me apoiaram, que me incentivaram a estudar, a procurar sempre mais e melhor. Mas sei que erraram. Já o sei há algum tempo e sinto-o, ainda hoje, quase todos os dias. E não gosto de usar o verbo errar, porque sei que se o fizeram não foi em consciência, não foi com intenção, não foi com maldade. Sei que há muitas pressões sociais sobre como devem ser os filhos, como se deve educar, como se deve ver e aceitar o crescer e que os pais acabam por levar com essas influências. E depois há os irmãos. E já li muito sobre pais que defendem que não há preferências. Não sei se em alguns casos não há mesmo, não sei se as escondem, não sei se estão formatados para as esconderem. Sei que no meu caso eu as senti e, ainda, sinto. Já me afectou muito, já culpei o meu irmão, já estive zangada interiormente, já passei pela mágoa. Hoje em dia, vivo sabendo que é assim, como um facto adquirido, sem que me afecte. Já não culpo o meu irmão, já nem culpo os meus pais. Simplesmente aceitei, da forma mais crua que sei, com sarcasmo, com piadas e com muito pouca dor. Sei ainda que os meus pais não conhecem o meu verdadeiro eu. Sei que me amam, defendem e se orgulham com toda a sua força. Mas sei também que as vitórias se festejam mais portas foras do que interna e interiormente, que as novidades contam mais para fora do que para os interessados, que os problemas são maiores fora do que a resolução que têm por dentro. Sei que aquilo que vêem em mim, além do que verdadeiramente sou, tem mais um bocadinho. E esse bocadinho não é meu, é um projecto deles que não existe, que não combina comigo, que não sou verdadeiramente eu em muitos sentidos. E vivemos todos como se esse mesmo bocadinho existisse. Se me sinto ingrata quando penso assim sobre eles? Muito. Muito mesmo. Se tenho uma pequena raiva em mim por ter de viver assim? Mentiria se dissesse que não. Não sou mãe e repito que acredito que seja mesmo, mesmo, muito difícil. E, por isso, comecei por dizer que seria crua aqui. E por mais cru que seja dizê-lo, eles falharam em mim. E, provavelmente, nunca o saberão, nem nunca entenderão. Tive a sorte, o destino, não sei o que foi, mas fui abençoada com o resto das pessoas que fui encontrando ao longo da vida. Agora que olho para trás sei, com todas as forças, que me tornei no melhor que me podia ter tornado. Tenho uma força muito própria e muito minha. Se já alimentei essa força com alguma raiva, alguma mágoa, algum desprezo? Já e tento cada vez menos fazê-lo, pois não gosto da pessoa que me torno quando penso mais assim. Não quero nunca, nunca, nunca ser injusta com eles. Sei que dariam tudo por mim. Mas sei, também, que me questiono se esse "mim" sou eu mesma ou se, esse "mim" sou eu com mais aquele bocadinho. E pergunto-me, e entristeço-me, e revolto-me porque, bem no fundo, sei que o "mim" é o meu projecto e não sou eu.


14 de abril de 2014

prove your worth


Contra mim falo mas passamos uma vida a fazê-lo. É preciso ter uma força muito grande e uma capacidade para parar, distanciar e avaliar bem para o fazer. Deixar sem pensar. Porque se tivermos que provar alguma coisa é a nós próprios. E passamos uma vida a fazer o contrário. Se achamos que temos de provar alguma coisa a alguém estamos a esquecermo-nos de nós. E, aí, o melhor mesmo é absolutely and utterly walk away. 

segunda feira e uma ótima semana #10


13 de abril de 2014

meditação

Gostava muito de um dia conseguir. De conseguir mesmo desligar. Saber como é e o bem que nos faz. Tenho um interesse especial pelas terapias alternativas. Um dia dedico-me a sério a tentar. Ou vários dias pois não é possível conseguir em apenas um. Pelo menos para mim que sofro de um mal chamado cabeça cheia de pensamentos, cheia, cheia, cheia, mas onde ainda cabem mais alguns


Há por aí meditadores? Contem-me tudo que eu gosto sempre de vos ouvir.

a love #12


11 de abril de 2014

quem diz a verdade não merece castigo #5


E um fim de semana worth living a todos.

para todos os que enfrentam desconfortáveis momentos familiares



Era tão bom às vezes poder responder assim. E quem diz a esta pergunta diz a outras. "E casar?". "E um filho?". "E um segundo filho?". "Não vão comprar casa?". "E só vão ter um carro?". Ficava aqui uma tarde e não tenho tempo.

P.S. Tias que andem por aí. A imagem é relativa às tias, mas podia ser qualquer elemento da família, da tetra-avó ao periquito. Vá, não fiquem melindradas.