6 de maio de 2014
Sobre isto de fazer as malas e mudar de vida
Já não é a primeira vez que o faço. Mas é a primeira mais a sério, mais adulta, mais por mim e sem intermediários, sem burocracias ou a quem recorrer se a coisa der uma bocadinho para o torto. Há algo fascinante sobre termos a oportunidade de mudar tudo de um dia para o outro. Literalmente de um dia para o outro mudamos tudo. Enfiamos tudo o que consideramos indispensável para dentro de uma ou duas malas, na esperança de que o que levamos lá dentro nos conforte e nos deixe continuarmos a ser nós próprios em sítios diferentes. A triagem que temos de fazer para fazer as malas para nos mudarmos para outra parte do globo é uma triagem ingrata. Pelas coisas mais fúteis como não podermos trazer as 30 combinações de roupa, acessórios e calçados perfeitos (e maquilhagem e cosméticos e aquela toalha de banho tão suave e fantástica) até as coisas que seriam realmente indispensáveis de trazer nas nossas malas, as pessoas que ficam. Sou uma afortunada com as relações que tenho. Lamento informar-vos mas não são vocês que têm os melhores amigos do mundo, sou mesmo eu. E essa é a parte menos fascinante disto de mudar de vida, ficar longe. Como tenho os melhores amigos do mundo é um longe físico apenas. Isto de mudar de vida, contrariamente ao que se possa pensar, faz-nos ficar mais perto das pessoas. A preocupação aumenta. As novidades são contadas com maior entusiasmo. Olhamos mais para as pessoas. Sentimos mais os tremores nas suas vozes. Respeitamos os dias em que não há chamadas. Festejamos os dias em que há chamadas. Deitamo-nos tardíssimo depois daquelas chamadas que deviam ter durado 5 minutinhos e duraram quase 2 horas. Estar longe aproxima as pessoas. E é por isso, que nesta coisa fascinantemente assustadora de mudar de vida sei que tenho mais a ganhar do que a perder. E é exactamente isso que digo, penso e repito para mim própria nos momentos de maior aflição. Estou longe. Mas estou perto. Estou bem. E a caminhar para ser (ainda) mais feliz.
5 de maio de 2014
Mudei de pais
E este blogue tambem. Ainda nos estamos a ambientar. E nao tenho acentos para ja. Por isso a quem veio a pensar que tinha mudado de progenitores, peço desculpa. Foi so mesmo de pais de paises. E estamos bem por aqui. Digo-vos ja para onde vim de balas e bagagens (muitos kgs alias!) ou deixo-vos no suspense?
Ja tinha muitas saudades disto!
Ja tinha muitas saudades disto!
21 de abril de 2014
19 de abril de 2014
este é para os que estão aí
E para os que torceram por mim aqui.
Porque agarrei-me a muitos pedidos, pedi muito, muito, muito. Às vezes já não sabia a quem pedia, mas continuava a pedir. E quando li os vossos comentários de uma genuinidade que não estava à espera senti-me mais amparada e protegida, pois já não era só eu a pedir. Houve mais gente a pedir comigo nem que tenha sido por poucos momentos.
Consegui. Conseguimos.
Ainda não está tudo. Mas o principal já está. Vêm aí tempos loucos. Tempos de dúvidas, tempos de confusão, tempos de adaptação.
Irei pondo-vos a par de tudo. Mas o que se passa é mais ou menos isto:
Porque agarrei-me a muitos pedidos, pedi muito, muito, muito. Às vezes já não sabia a quem pedia, mas continuava a pedir. E quando li os vossos comentários de uma genuinidade que não estava à espera senti-me mais amparada e protegida, pois já não era só eu a pedir. Houve mais gente a pedir comigo nem que tenha sido por poucos momentos.
Consegui. Conseguimos.
Ainda não está tudo. Mas o principal já está. Vêm aí tempos loucos. Tempos de dúvidas, tempos de confusão, tempos de adaptação.
Irei pondo-vos a par de tudo. Mas o que se passa é mais ou menos isto:
Muda de vida, se tu não vives satisfeito.
16 de abril de 2014
15 de abril de 2014
crua
Este vai ser um texto mais cru e mais duro. Acredito que a função de educar seja a mais difícil do mundo. Acredito mesmo e tenho muito medo se eu um dia vier a ter essa função. Acho-a difícil e ingrata, porque errar é o mais certo de acontecer. O papel de um pai/mãe é um papel que junta o certo e o errado na mesma frase. Devo muito aos meus pais que nunca me faltaram com nada, que me apoiaram, que me incentivaram a estudar, a procurar sempre mais e melhor. Mas sei que erraram. Já o sei há algum tempo e sinto-o, ainda hoje, quase todos os dias. E não gosto de usar o verbo errar, porque sei que se o fizeram não foi em consciência, não foi com intenção, não foi com maldade. Sei que há muitas pressões sociais sobre como devem ser os filhos, como se deve educar, como se deve ver e aceitar o crescer e que os pais acabam por levar com essas influências. E depois há os irmãos. E já li muito sobre pais que defendem que não há preferências. Não sei se em alguns casos não há mesmo, não sei se as escondem, não sei se estão formatados para as esconderem. Sei que no meu caso eu as senti e, ainda, sinto. Já me afectou muito, já culpei o meu irmão, já estive zangada interiormente, já passei pela mágoa. Hoje em dia, vivo sabendo que é assim, como um facto adquirido, sem que me afecte. Já não culpo o meu irmão, já nem culpo os meus pais. Simplesmente aceitei, da forma mais crua que sei, com sarcasmo, com piadas e com muito pouca dor. Sei ainda que os meus pais não conhecem o meu verdadeiro eu. Sei que me amam, defendem e se orgulham com toda a sua força. Mas sei também que as vitórias se festejam mais portas foras do que interna e interiormente, que as novidades contam mais para fora do que para os interessados, que os problemas são maiores fora do que a resolução que têm por dentro. Sei que aquilo que vêem em mim, além do que verdadeiramente sou, tem mais um bocadinho. E esse bocadinho não é meu, é um projecto deles que não existe, que não combina comigo, que não sou verdadeiramente eu em muitos sentidos. E vivemos todos como se esse mesmo bocadinho existisse. Se me sinto ingrata quando penso assim sobre eles? Muito. Muito mesmo. Se tenho uma pequena raiva em mim por ter de viver assim? Mentiria se dissesse que não. Não sou mãe e repito que acredito que seja mesmo, mesmo, muito difícil. E, por isso, comecei por dizer que seria crua aqui. E por mais cru que seja dizê-lo, eles falharam em mim. E, provavelmente, nunca o saberão, nem nunca entenderão. Tive a sorte, o destino, não sei o que foi, mas fui abençoada com o resto das pessoas que fui encontrando ao longo da vida. Agora que olho para trás sei, com todas as forças, que me tornei no melhor que me podia ter tornado. Tenho uma força muito própria e muito minha. Se já alimentei essa força com alguma raiva, alguma mágoa, algum desprezo? Já e tento cada vez menos fazê-lo, pois não gosto da pessoa que me torno quando penso mais assim. Não quero nunca, nunca, nunca ser injusta com eles. Sei que dariam tudo por mim. Mas sei, também, que me questiono se esse "mim" sou eu mesma ou se, esse "mim" sou eu com mais aquele bocadinho. E pergunto-me, e entristeço-me, e revolto-me porque, bem no fundo, sei que o "mim" é o meu projecto e não sou eu.
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