15 de abril de 2014

crua

Este vai ser um texto mais cru e mais duro. Acredito que a função de educar seja a mais difícil do mundo. Acredito mesmo e tenho muito medo se eu um dia vier a ter essa função. Acho-a difícil e ingrata, porque errar é o mais certo de acontecer. O papel de um pai/mãe é um papel que junta o certo e o errado na mesma frase. Devo muito aos meus pais que nunca me faltaram com nada, que me apoiaram, que me incentivaram a estudar, a procurar sempre mais e melhor. Mas sei que erraram. Já o sei há algum tempo e sinto-o, ainda hoje, quase todos os dias. E não gosto de usar o verbo errar, porque sei que se o fizeram não foi em consciência, não foi com intenção, não foi com maldade. Sei que há muitas pressões sociais sobre como devem ser os filhos, como se deve educar, como se deve ver e aceitar o crescer e que os pais acabam por levar com essas influências. E depois há os irmãos. E já li muito sobre pais que defendem que não há preferências. Não sei se em alguns casos não há mesmo, não sei se as escondem, não sei se estão formatados para as esconderem. Sei que no meu caso eu as senti e, ainda, sinto. Já me afectou muito, já culpei o meu irmão, já estive zangada interiormente, já passei pela mágoa. Hoje em dia, vivo sabendo que é assim, como um facto adquirido, sem que me afecte. Já não culpo o meu irmão, já nem culpo os meus pais. Simplesmente aceitei, da forma mais crua que sei, com sarcasmo, com piadas e com muito pouca dor. Sei ainda que os meus pais não conhecem o meu verdadeiro eu. Sei que me amam, defendem e se orgulham com toda a sua força. Mas sei também que as vitórias se festejam mais portas foras do que interna e interiormente, que as novidades contam mais para fora do que para os interessados, que os problemas são maiores fora do que a resolução que têm por dentro. Sei que aquilo que vêem em mim, além do que verdadeiramente sou, tem mais um bocadinho. E esse bocadinho não é meu, é um projecto deles que não existe, que não combina comigo, que não sou verdadeiramente eu em muitos sentidos. E vivemos todos como se esse mesmo bocadinho existisse. Se me sinto ingrata quando penso assim sobre eles? Muito. Muito mesmo. Se tenho uma pequena raiva em mim por ter de viver assim? Mentiria se dissesse que não. Não sou mãe e repito que acredito que seja mesmo, mesmo, muito difícil. E, por isso, comecei por dizer que seria crua aqui. E por mais cru que seja dizê-lo, eles falharam em mim. E, provavelmente, nunca o saberão, nem nunca entenderão. Tive a sorte, o destino, não sei o que foi, mas fui abençoada com o resto das pessoas que fui encontrando ao longo da vida. Agora que olho para trás sei, com todas as forças, que me tornei no melhor que me podia ter tornado. Tenho uma força muito própria e muito minha. Se já alimentei essa força com alguma raiva, alguma mágoa, algum desprezo? Já e tento cada vez menos fazê-lo, pois não gosto da pessoa que me torno quando penso mais assim. Não quero nunca, nunca, nunca ser injusta com eles. Sei que dariam tudo por mim. Mas sei, também, que me questiono se esse "mim" sou eu mesma ou se, esse "mim" sou eu com mais aquele bocadinho. E pergunto-me, e entristeço-me, e revolto-me porque, bem no fundo, sei que o "mim" é o meu projecto e não sou eu.


14 de abril de 2014

prove your worth


Contra mim falo mas passamos uma vida a fazê-lo. É preciso ter uma força muito grande e uma capacidade para parar, distanciar e avaliar bem para o fazer. Deixar sem pensar. Porque se tivermos que provar alguma coisa é a nós próprios. E passamos uma vida a fazer o contrário. Se achamos que temos de provar alguma coisa a alguém estamos a esquecermo-nos de nós. E, aí, o melhor mesmo é absolutely and utterly walk away. 

segunda feira e uma ótima semana #10


13 de abril de 2014

meditação

Gostava muito de um dia conseguir. De conseguir mesmo desligar. Saber como é e o bem que nos faz. Tenho um interesse especial pelas terapias alternativas. Um dia dedico-me a sério a tentar. Ou vários dias pois não é possível conseguir em apenas um. Pelo menos para mim que sofro de um mal chamado cabeça cheia de pensamentos, cheia, cheia, cheia, mas onde ainda cabem mais alguns


Há por aí meditadores? Contem-me tudo que eu gosto sempre de vos ouvir.

a love #12