13 de março de 2014

coisas simples desta vida



E como pode saber tão bem uma simples torrada de pão saloio com um iogurte que veio de casa. E, assim, recarregar energias para continuar a trabalhar, produzir, avançar. E, claro, sempre na melhor companhia. A tua.

I (do pronome pessoal "Eu" em Inglês)

Corrijam-me se estiver errada, mas acabei de me aperceber que a língua inglesa é a única/das poucas/uma das algumas línguas em que o pronome pessoal "eu", ou seja I se escreve sempre com letra maiúscula. Eu sei, eu sei, tanta coisa para reparar no mundo, eu sei, mas... Pôs-me a pensar que inconscientemente termos o hábito de escrever a nossa referência, o nosso Eu com maiúscula pode ser lido (ou não) como uma forma de olharmos mais para nós. Foi isso que me pôs a pensar a minha descoberta (uau!). Há mesmo que cuidar mais de nós. Olhar mais para nós. Tratar de nós. Mimar. Arranjar. Nutrir. Hidratar. Ginasticar. Correr. Cometer excessos que só nós gostamos. Passar uma hora a fazer coisas que só nós gostamos. E na frenética dos dias é provável que estas coisas nos passem ao lado. E, por isso, é sempre bom ter um lembrete bem visível disso. Nem que seja na forma de escrita. I matter. I do. I am.



12 de março de 2014

a love #6


os blogs e o anonimato

Às vezes quando vou na rua ponho-me a observar as pessoas. Faço isto muitas vezes. Isto agora soou muito creepy. Bem visto, muito creepy mesmo. Mas sim, gosto de observar pessoas. Na rua, nos shoppings, no metro, até parada no trânsito. Em primeiro, gosto de ver modelitos, trapos, maquilhagens, cabelos. Em segundo, também gosto de ver trambolhos, mas nem tanto, que os meus olhos são preciosos e sensíveis. Em terceiro, gosto de imaginar que vidas vão ali. Que famílias. Que amigos. Se aquela pessoa hoje já passou por algum desafio. Se está confiante. Se está insegura. Se está apaixonada ou de coração partido. Se será uma boa pessoa. Se já cometeu alguma boa acção hoje. Se já magoou alguém hoje. E dentro de todas estas análises, recentemente incluí a de "Será que tem um blog?". Será que eu já vi o blog dessa pessoa. Será que essa pessoa vê blogs? Ainda não me ponho no armanço de pensar "Oh meu deus! Será que já passou pelo meu estaminé?" Lá chegaremos, que há dias em que o nível de paranóia me pode dar para isso. Mas, e continuando na temática da possibilidade das pessoas que passam por nós terem um blog, eu acho que é mesmo muito grande. Há muitos blogs, muitas pessoas, muitas palavras já escritas. E é bom ser assim. E é bom este ser um lugar em que (os que assim o querem) se possa ter um anonimato. Nunca pensei quando criei o estaminé dizer logo quem era, de o partilhar com conhecidos. A mim não me fazia sentido. Seria apenas uma maneira de o que conto às minhas pessoas pessoalmente (uau!), passar a contar por palavras. E, para mim, não fazia sentido. E o anonimato é bom. É bom poder vir para aqui desenrolar este mundo e o outro e ser só a Sofia. Não a Sofia que tem certa família, que namora com certa pessoa, que tem certo grupo de amigos, que vive em certo sítio, que andou em certa escola, que andou em certa universidade, que que tem certo carro. E gosto de ver isso nos blogs que leio. Há mais transparência. Em alguns, está ali a verdadeira essência da pessoa. A escrita faz-nos isso. E, por isso, sim gosto de ir na rua e imaginar se aquela pessoa tem um blog e se algum dia lerei alguma coisa escrita dessa mesma pessoa.

no parque de estacionamento

Ontem. Num shopping. Depois de uma ida ao cinema. Tu para mim. 

- "É por ali que ficou o carro, não é?".
- "..."

Como se eu fosse mesmo saber!

Confesso, já tive muitos mini enfartes por não me lembrar onde deixo o carro. Normalmente, quando vou sozinha (e me lembro!) até aponto o a letra e o número do lugar no telemóvel.

11 de março de 2014

a love #5


(re) viver

Já há mais de um ano que não vivo na casa onde mais gostei de viver. A nossa primeira casa. Ainda assim, há dias em que acordo de manhã e que por dois segundos ainda é como se acordasse lá. Esticar a minha mão e sentir a tua. Ser tão cedo de manhã que ainda era de noite. 
Tenho medo de me esquecer de todos os contornos daquela casa. Dos cheiros. De como tínhamos as coisas dispostas nos armários da cozinha. Do truque especial para abrir as janelas. Do tamanho exacto do sofá. Do programa da máquina de lavar a roupa. Do mosaico do chão. Acredito que com o tempo alguns detalhes sejam perdidos algures pelas muitas gavetas que temos na memória. E, por isso, quando acordo com a sensação de que ainda estamos lá, faço um esforço de memória e, por mais alguns minutos, continuamos lá.